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BAVI de torcida mista acontece no Brasileirão em João Pessoa

Por Redação FutVitória em 20/08/2026 18:02

A imposição judicial que determina clássicos com torcida única em Salvador, em vigor desde 2017, é um atestado de falência da segurança pública e da gestão esportiva na Bahia. Ao punir o coletivo em detrimento da identificação e punição dos indivíduos violentos, o futebol perdeu sua essência de convivência. No entanto, longe dos limites do estado baiano, uma iniciativa capitaneada por torcedores organizados na Paraíba busca demonstrar que a coexistência pacífica entre rivais históricos não apenas é viável, mas necessária.

No próximo domingo (23/08/2026), por ocasião do clássico válido pela 23ª rodada do Campeonato Brasileiro, torcedores de Vitória e Bahia se reunirão em João Pessoa para assistir ao BAVI em um espaço compartilhado. O Restaurante do Baiano, tradicional reduto tricolor na capital paraibana, abrirá suas portas para receber também os rubro-negros, em um movimento que contrasta diretamente com o cenário de segregação imposto nos estádios de Salvador.

Os idealizadores do encontro argumentam que a separação compulsória de torcidas nos estádios enfraquece o debate sobre a educação no esporte. Para os organizadores, responsabilizar as agremiações ou a totalidade dos torcedores pelos atos de vandalismo de minorias é um retrocesso. A reunião em solo paraibano surge como um manifesto prático de que é possível compartilhar a paixão pelo futebol sem que a rivalidade descambe para a hostilidade física.

Essa experiência fora de casa resgata a memória afetiva da antiga Fonte Nova, período em que as duas torcidas dividiam o mesmo cimento, separadas apenas pela paixão clubística. Ao recriar esse ambiente na Paraíba, os organizadores pretendem evidenciar que o distanciamento social imposto pelo modelo de torcida única não resolve o problema da violência, apenas o varre para debaixo do tapete.

O confronto pacífico de rubro-negros e tricolores na Paraíba

A organização do evento conjunto é fruto da articulação entre a Nêgo Jampa, embaixada oficial do Vitória na Paraíba, e a Jampa de Aço, que representa os torcedores do clube rival. A relação de respeito mútuo entre as duas agremiações é histórica e remonta à própria fundação do grupo tricolor, que contou com o apoio e indicações de membros da torcida rubro-negra para se estruturar na capital paraibana.

A tabela abaixo detalha o perfil das duas representações de torcedores que promovem esta iniciativa de integração na capital paraibana:

Torcida Organizada Clube Representado Tempo de Atividade Status na Paraíba
Nêgo Jampa Esporte Clube Vitória 21 anos Embaixada Oficial
Jampa de Aço Esporte Clube Bahia Desde 2016 Grupo de Torcedores

A Nêgo Jampa consolidou-se como a representação mais antiga do Vitória fora do território baiano, carregando o pavilhão rubro-negro há mais de duas décadas em João Pessoa. A trajetória do grupo é marcada por momentos de celebração, como o histórico BAVI de 2015, disputado pela Série B do Campeonato Brasileiro, quando o Vitória goleou o rival por 4 a 1. Naquela oportunidade, a comemoração dos dez anos da torcida uniu o triunfo em campo a manifestações da cultura baiana.

Programação cultural e a preservação da rivalidade saudável no clássico

Para além dos noventa minutos de futebol na tela, o evento do próximo domingo contará com uma imersão cultural baiana. A trilha sonora do encontro será comandada pelo cantor Dan Spencer, que apresentará clássicos da música da Bahia para o público presente. A proposta é transformar o espaço em um ponto de encontro da comunidade baiana residente na Paraíba, utilizando o esporte como elemento agregador.

Obviamente, a rivalidade histórica entre Vitória e seu adversário não será anulada. Os organizadores destacam que as provocações sadias, os cânticos de incentivo e a tradicional gozação com o derrotado fazem parte do folclore do futebol e serão estimulados. O limite estabelecido, contudo, é o respeito mútuo, garantindo que o ambiente permaneça estritamente familiar e seguro para todos os frequentadores.

Enquanto as autoridades baianas continuam a adotar a cômoda política da proibição e do isolamento nos estádios de Salvador, a diáspora baiana em João Pessoa oferece uma lição de maturidade. Resta saber se o exemplo de convivência pacífica deixará alguma lição para os gestores que insistem em manter os portões fechados para a festa completa do futebol.

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